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Adam & Érica

Estava atravessando a rua para encontrar-me com Adam. Ele sorriu ao me ver. Ele sempre sorria ao me ver. E seu sorriso, eu devo admitir que era muito bonito. Dei nele o habitual beijo no rosto e começamos a conversar.

- Já estava sentindo a sua falta, garota.

- Eu também. Acho que com você meus dias não são tão fúteis. É bom ter alguém com quem se possa ter uma conversa de qualidade.

- Seus dias são tão ruins assim? – disse ele em tom de brincadeira.

- Bem, você sabe. Garotas.

- Eu imagino. Mas você parece meio irritada. Aconteceu alguma coisa?

Por que ele tinha de ser tão perceptivo?

- É que elas ficam falando... sobre eu e você. Falando bobagens. Isso me irrita. – nesse momento eu o olhei. Ele estava sorrindo, visivelmente divertindo-se com alguma coisa. Curtindo alguma piadinha particular. Bem, a pior coisa que ele podia ter feito era algo assim. Eu era a pessoa mais curiosa do planeta. Também sorri, e perguntei:

- O que foi?

- Nada, quer dizer... ah, esqueça. Eu só me lembrei de algo engraçado. Só isso.

- Ok.

Do outro lado da rua, de repente passava Carly, e assim que a vimos, ela nos mandou um olhar que me deu ânsia de vômito. Qual era o problema dessa garota? Adam também percebeu, e pude ver que ele ficou ligeiramente desconfortável. Eu também era perceptiva, e agora tinha uma pergunta para fazer á ele:

- Adam, a algumas semanas atrás, você estava bem magoado. Você chorava por causa dela, eu sei disso, eu estava presente, entre aspas. De onde surgiu essa raiva toda?

Ele respondeu normalmente, o rosto revelando nada mais do que uma leve indignação.

- Sabe, Érica, a raiva principal é por mim mesmo. Hoje eu vejo que perdi bastante tempo da minha vida naquela época em que estive ferido por causa dela. Só depois é que eu fiquei sabendo que, enquanto eu sentia a falta dela, ela estava me odiando e... fervendo por aí. Não consegui mais simpatizar com ela depois disso.

O silêncio que se seguiu não foi agourento, tampouco desconfortável. Apesar do assunto o qual tínhamos tratado, a atmosfera entre nós dois era tranquila. Com um sinal de mãos, pedi que me acompanhasse no caminho. Por toda a tragetória ele esteve ao meu lado. Ambos andávamos em silêncio, apenas desfrutando da companhia um do outro. Por mais que fosse estranho admitir, eu e Adam combinávamos perfeitamente. Não só na aparência, mas como pessoa. Nós nos dávamos muito bem como melhores amigos, como confidentes, etc. Estávamos quase chegando ao meu destino. De onde estávamos, eu podia ver o telhado vermelho da minha casa, insinuando-se por entre as folhas das árvores, e acima do das outras casas. Quando já estávamos na minha rua, nos despedimos. Antes de afastar-se, ele fez uma observação:

- Mas sabe, Érica... – ele fez uma pausa um tanto teatral,e entendi que esta era a minha deixa para fazer a pergunta-chave.

- O quê?

- Ainda há um lado bom nisso tudo.

Observei-o com cautela, percebendo o tom enigmático de sua voz. Fiquei intrigada com aquela frase. Qual seria o lado bom de um péssimo fim de relacionamento?

- E qual seria o lado bom, Adam?

Ele hesitou antes de responder. Pude percebê-lo meio envergonhado, meio indeciso, e mais um misto de sentimentos que podiam estar atrasando a sua resposta. Por fim, disse:

- O lado bom... é que me aproximei mais de você.

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19 comentários:

Gabriel Lemos disse...

Interessante

Kiko Lemos disse...

Gostei bastante do texto e do resultado uma mistura de conto com dissertação.

Parabéns e continue assim

Nicelle Almeida disse...

Muito bom, minha flor...
Os diálogos são os melhores.
Beijoooos =D
www.nicellealmeida.blogspot.com

Cáah Lima disse...

Que linda historia, e vc escreve muuito bem. Eu estou encantada com seu lindo blog. OMG!
*O* eu axei em alguma comunidade d orkut.
passa lá no meu?
quero voltar mais vezes aqui.
bjs
http://oicarolina.wordpress.com/

Nicelle Almeida disse...

Oi, minha flor.
Sobre o post, já comentei por aqui. Vim apenas te desejar uma ótima semana.
Beijo grande...amo suas histórias. Acabei lendo novamente ;)
www.nicellealmeida.blogspot.com

Tunados & Loucos disse...

Muito bom, percebe-se que escreve com o coração...

Karla Hack disse...

Um amor curando outro...
As vezes é só isto que é preciso!
Simples e encantadora sua história!

;D

Ana Clara Q. Silva disse...

que lindo. Amei o texto, fiquei na expectativa do final, é claro que podia ser algo mais romantico e meloso mas foi fantástico. Amei demais, lindo.
http://anaclaraqs.blogspot.com/

Macaco Pipi disse...

e terão filhos...aí o amor se vai de novo
AEHHEAAE

Nathacha disse...

Gostei da maneira que descreve!
Puxa estava interessnte! cadê o resto? rsrs
espero a continuação
http://medicinepractises.blogspot.com/

Postado por : King Maggot disse...

*_*

Gostei dos textos..

segue lá o meu?

http://nofinalsomosmarionetes.blogspot.com/

se tiver afim de fazer parceria seria otimo !

aguardo resposta!

Nina disse...

Gostei da história, menina!!
Pelo blog, você está de parabéns, Vanessa!

Abraço de NINA

disse...

Historia muito bem escrita...
Dizem que grandes amores se formam pela amizade, vai saber né!?
Parabéns pelo blog!

J. A. Nobel disse...

Amei, Vanessa! Tenho um blog para divulgar o meu livro e gostaria demais se vc desse uma olhada. http://rightaftermidnight.blogspot.com Se interessa emparceria ou algo do tipo? Beijos, parabéns pelo post lindo.

Agnes disse...

Tem um selo pra vc no meu blog!
http://s2ois.blogspot.com

José María Souza Costa disse...

Continue festejando o seu Santo Natal.
Vim lhe desejar Harmonia e Paz. Tens um blogue Belíssimo. Passei aqui lendo, e observando. E estou lhe convidando a visitar o meu, que por sinal é muito Simplório, e se possível seguirmos juntos por eles. Estarei muito grato esperando por vós lá.
Abraços fraternais e que o Menino Deus, nos proteja, Sempre.

Karla Hack dos Santos disse...

Acho que já comentei por aqui também...
Mas é tão bom reler seus textos...
Vc consegue escrever sobre sentimentos sem cair no clichê.

Muito bom!!

;D

Peter B. Parker disse...

boa sacada com os diálogos.


(http://aideti.wordpress.com/)

@naochupamanga disse...

Estes contos dissertados, se é que podemos chamar assim são realmente muito bons!
Um abraço!

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